sexta-feira, 31 de julho de 2009

Não há matemática. Nem conjunto. Nem par. Está certa quando diz que "somos" não existe. Seremos? Quem sabe? Não posso prever, chutar, somar. Sou uma incógnita e você também. X e Y de uma mesma equação. Separados por um sinal, divididos por uma fração - de segundos.

Cara I.,

Algumas cartas a mais, nada de novo. A mesma temática, a mesma problemática e nenhuma matemática. Não que você possua uma fórmula e, com alguns cálculos, dê um resultado. Talvez até tenha, porém não preciso sabê-lo. O que eu preciso é pouco, dá para se contar nos dedos. Queria que soubesse que há mais de mim além da minha existência. Eu diria que o "eu e você" não é uma simples adição, é uma multiplicação, uma potência. O que "somos" ainda não existe. O que digo é desconhecido até por mim. Você é a icógnita do meu conjunto universo... vazio.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Presunçoso seria dizer-me que não sou capaz de fazer-te feliz. A felicidade que conheço é como o inverno. Passo longos períodos em isolamento, procurando aquecer-me. Algumas vezes, é tão rigoroso que dói-me os ossos e as juntas. Porém é sempre difícil aquecer-se quando se está só. Aguardo silenciosamente a chegada do verão que proporciona-me um certo conforto momentâneo. O verão, assim como você, é cheio de contrastes. Em um momento ferve, em outro chove. Queria um pouco de suas primaveras e outonos em mim. Aí sim poderia levar meus invernos e verões até você.

Cara H.,

Que presunçoso da sua parte achar que pode fazer-me feliz. Não fostes a primeira a julgar-se capaz, e também não será a última. A felicidade que conheço é tal como a Primavera, vem naturalmente, uma vez por ano e fica até tornar-se Outono. Meus Outonos são cômodos, secos e frios. Não existe Inverno. Não existe Verão. Contento-me com duas estações muito bem definidas. A Primavera que chega para dizer que já está de partida. E o Outono, que não quer, mas sabe fazer-me companhia.