quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Seu amor tem força. Uma força imparável, que veio de encontro a um objeto praticamente imóvel, a pessoa que lhe escreve agora. Disse que não faltaram palavras, sobrou alguma? Sinto precisar de novas. É impossível parar tal força, assim como é impossível, para mim, desviar-me dela. Movi-me a favor dela, agora movo-me contra. Vou de encontro ao ponto pelo qual essa força foi gerada. Localiza-se em teu peito, certo? Deixe acolher-me nele, único lugar no qual sei que caibo, sem precisar encolher-me, ou diminuir de tamanho.

Cara L.,

Nem tudo que quisera dizer fora dito, não queria dizer tudo que dissera. Não que faltaram as palavras, apenas não conseguira pô-las para fora. Tentava agora cuspi-las em um pedaço de papel qualquer, porém não sabia mais de qual pessoa se tratava. Era da primeira ou da terceira? Dirigiu-se ao tu, a segunda e única pessoa capaz de responder. Por que parecia impossível parar de te amar?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A solidão foi a melhor companhia. Até deixar-me - ou deixarem-me - conhecer você. À fundo, sem poço. Como o fundo do mar, você é cheia de surpresas. Navios naufragados, cores, tesouros. Muitos já passaram por você, nadando para chegar em algum lugar. Quase fiz o mesmo, mas parei na metade do caminho. Sem forças para continuar. Ficamos eu e o mar - você. Deixou que eu boiasse, e quando eu quis, deixou que eu entrasse. Entrei. Verde e silêncio. Ajudou-me, não só a escutar a batida de meu coração, escutou junto comigo.

Cara J.,

Certa vez ouvi-te dizer que a solidão era a melhor companhia. Bom, talvez foi apenas o que o mundo conseguiu te mostrar, de uma forma e de outra. Envio-te estas palavras a fim de mostrar para teu coração, sim, o tão questionado coração teu, latente, pulsante, dilacerado, que nem tudo são espinhos. O que precisas é tão simples, e nem isso foram capaz de te dar. Aqui vai minha declaração de amizade: declaro que não te machucarei, que estarei sempre no "aqui", no presente do indicativo, imperativo, subjuntivo, futuro simples ou composto, independente do tempo e do espaço. Declaro que te amo e que farei de tudo para teu contentamento, no meu presente contínuo.