quinta-feira, 25 de junho de 2009
Posso até ter voltado por vontade própria, mas fui até você involuntariamente. Nem sempre é preciso entender. Você não me perdeu de vista. Apenas fui dar um passeio, prometo que volto logo. Não preciso voltar para te devolver o tempo, talvez umas poucas palavras tragam-no para suas mãos, quem sabe podemos compartilhá-lo à distância... Sua espera não é nada além de um instante, meu passeio é apenas um lapso. O tempo é nosso e não passa. Voltarei para entregá-lo a tempo em suas mãos.
Cara G.,
Você chegou e me mostrou que o tempo era só nosso. Mostrou o caminho de ida, mas esqueceu de ensinar o de volta. Resolveu voltar e levou o tempo consigo. Hesitei em seguir, e quando comecei, já tinha te perdido de vista. Você não voltou, mas ainda te espero. Espero que você volte para me lembrar do tempo, e de como com a gente ele não duvidava em passar. Espero já de pé, não sei de onde tiraria forças para levantar. Não é possível, você não me esqueceu aqui. Só esqueceu de se lembrar. Então me deixa esquecer.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A escuridão que vê em meus olhos, é tão somente seu reflexo. Juntou-se a ela, para juntar a si mesma. Não tratou-se de um alinhamento de planetas, mas de um meteoro. Você viu, pela primeira vez, alguém fazer luz na sua escuridão. Meus olhos não são um livro, por serem parte de mim, são um código, que você não pôde decifrar. Não te prendi aqui. O código estava em mim, não na saída. Agora vá. Vá e perca-se em olhos alheios e esqueça-se logo dos meus.
Cara F.,
Eu sempre tive medo do escuro, até te conhecer. Olhei você pela primeira vez e acredito que houve um alinhamento de planetas... Continuei olhando, mas parei em seus olhos. Eram sombrios e profundos, quase como túneis. Tive, então, que enfrentar meu medo. Tentei lê-los, mas acho que não havia nada para mim. Sua escuridão me prendia e não consegui vencê-la. Juntei-me a ela. Seus olhos continuam em outros, os meus continuam em você. Comecei a me perder em olhos alheios... Quem sabe assim um dia eu te esqueço?
terça-feira, 9 de junho de 2009
Queria te ligar. Pra falar coisa qualquer, sem sentido, sem propósito. Queria esquecer, não você, mas os outros. Queria chegar bem perto do seu ouvido e sussurrar meia dúzia de meias palavras. Queria poder gritar tudo que já esteve preso um dia, mas que agora está livre. Queria poder compartilhar contigo o mesmo céu, o mesmo perfume das rosas, a mesma madrugada e o mesmo amanhecer. Ainda penso em te fazer uma surpresa, mas acho que não está na hora. Talvez o que seja tempo para você, é apenas um espaço para mim.
Cara E.,
Me liga, me grita. Esquece o ar e tudo mais. Eu sei do que eu preciso, e eu preciso ouvir sua voz. Já não se trata mais de saudade. Já é questão de vida ou morte. E apesar da arma apontar para mim, eu ainda acho que você devia aparecer, de surpresa ou não, e matar logo a saudade. Jogar dois dedos de prosa fora, e levar a tristeza para passear, enquanto eu faço um chá, enquanto eu faço sentido. Enquanto eu não acordo para perceber que a saudade chegou para ficar.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Estava a espera de algum sinal. Eu estava perdida e precisava de alguém que me resgatasse. Não sei explicar exatamente do quê. Por um instante me perdi mais ainda em suas linhas. Eu estava a procura de um remetente, e você de um destinatário. Para mim foi o suficiente e, se eu te conhecesse melhor, diria que não era o mesmo para você. Porém houve um momento. O céu estava coberto de nuvens e nos assistia, enquanto meus olhos te assistiam e você me cobria com tudo aquilo que me faltava. Pude ler seus olhos, falavam mais que suas palavras. Mas nem isso era preciso, a gente se entendia só pelo pensamento.
Cara D.,
Carta para alguém. Para quem não sei. Para quem quiser. O sol já se foi, foi sem se despedir. As estrelas saíram de férias. E eu busco companhia...em qualquer coisa talvez. Talvez assim, talvez, quem sabe. Talvez alguém, você, que não sei quem, que pode ser quem quiser, apareça. Coberto pelo céu, ou pelo vento, ou querendo que eu te cubra. Mas que apareça. Para segurar minha mão, para segurar meu choro, para me segurar entre os braços. Apareça, e chegue assim, bem perto. Para que eu te olhe, e você olhe de volta. Para eu parar de olhar para quem não quer olhar para mim.
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