segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Cara N.,
Dirijo-te estas palavras para que saibas que perdi a direção. Não culpo o asfalto molhado, nem as garrafas de vinho barato que esvaziei pela madrugada. Causei um acidente, e ironicamente, alegrei-me ao saber que somente eu saí machucada. Perdi a direção sem fazer questão de recuperá-la. Deslizei, freiei, e enfim, capotei. Senti não precisar do mundo para dar voltas. E o vi, claramente, pedindo para que eu voltasse atrás, para que eu refizesse meu caminho, dessa vez, com mais cautela. Fiz o mundo esperar. Tanto já tinha esperado por socorro, tanto já tinha negado-me respostas. Agora, presa aos destroços de minha vida, deixo que o eco leve a ti estas notícias. Acidentei o já acidentado, e agora, o mundo está pronto para prestar-me socorro, mas não eras tu que deveria ter salvado-me?
Só quero não saber. Não estás contida por covardia, o que te prende a mais que uns passos de mim, é egoísmo. Sabes que tem tanto a calmaria quanto a coragem, senão não teria a certeza das palavras e dos sorrisos. Assiste-me com a distância necessária para saber da sutilidade de minha inquietação, e para sentir-se incomodada com ela. Está vendo-me agora, roendo os cigarros e fumando as unhas? Chacoalhando as pernas enquanto bato a cabeça? Não quero, mas sei que estás aí, a acompanhar meu longa-metragem tornar-se cada vez mais curto. Aproveite bem seu saco de pipocas. Não importo-me em ser assistida no papel de saco de pancada.
Cara M.,
Assisto a você de longe, seu longa-metragem em preto e branco. Assisto a uma inquietação sutil, distante e incômoda. Queria eu estar perto.... Levaria comigo um punhado de calmaria, as palavras certas e alguns sorrisos. Porém estou aqui, a pouco mais que uns passos de você, e minha covardia me contém. Só quero que saiba que estou aqui, desconhecida porém constante.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Seu amor tem força. Uma força imparável, que veio de encontro a um objeto praticamente imóvel, a pessoa que lhe escreve agora. Disse que não faltaram palavras, sobrou alguma? Sinto precisar de novas. É impossível parar tal força, assim como é impossível, para mim, desviar-me dela. Movi-me a favor dela, agora movo-me contra. Vou de encontro ao ponto pelo qual essa força foi gerada. Localiza-se em teu peito, certo? Deixe acolher-me nele, único lugar no qual sei que caibo, sem precisar encolher-me, ou diminuir de tamanho.
Cara L.,
Nem tudo que quisera dizer fora dito, não queria dizer tudo que dissera. Não que faltaram as palavras, apenas não conseguira pô-las para fora. Tentava agora cuspi-las em um pedaço de papel qualquer, porém não sabia mais de qual pessoa se tratava. Era da primeira ou da terceira? Dirigiu-se ao tu, a segunda e única pessoa capaz de responder. Por que parecia impossível parar de te amar?
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
A solidão foi a melhor companhia. Até deixar-me - ou deixarem-me - conhecer você. À fundo, sem poço. Como o fundo do mar, você é cheia de surpresas. Navios naufragados, cores, tesouros. Muitos já passaram por você, nadando para chegar em algum lugar. Quase fiz o mesmo, mas parei na metade do caminho. Sem forças para continuar. Ficamos eu e o mar - você. Deixou que eu boiasse, e quando eu quis, deixou que eu entrasse. Entrei. Verde e silêncio. Ajudou-me, não só a escutar a batida de meu coração, escutou junto comigo.
Cara J.,
Certa vez ouvi-te dizer que a solidão era a melhor companhia. Bom, talvez foi apenas o que o mundo conseguiu te mostrar, de uma forma e de outra. Envio-te estas palavras a fim de mostrar para teu coração, sim, o tão questionado coração teu, latente, pulsante, dilacerado, que nem tudo são espinhos. O que precisas é tão simples, e nem isso foram capaz de te dar. Aqui vai minha declaração de amizade: declaro que não te machucarei, que estarei sempre no "aqui", no presente do indicativo, imperativo, subjuntivo, futuro simples ou composto, independente do tempo e do espaço. Declaro que te amo e que farei de tudo para teu contentamento, no meu presente contínuo.
Assinar:
Postagens (Atom)